sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Família não se escolhe :~

Boa noite. (pra quem? pro vento.)

Às vezes sinto como se meu coração tivesse sido despedaçado em migalhas, e sinto como se eu tivesse a PLENA lembrança disso. Algo que pode ser caracterizado como diário, porque me persegue a cada respiração.
Ele (meu coração, como se fosse um ser "animado") se esmigalhou ainda muito jovem. Quem me lê, ou até mesmo ao meu ver, as frases até agora parecem muito exageradas, mas como diria Leoni, "eu queria manter cada corte em carne viva, a minha dor em eterna exposição e sair nos jornais e na televisão só pra te enlouquecer até você me pedir PERDÃO!", é, mas isso eu não posso e nem devo fazer.
O dia dos pais passou. Mais um dia dos pais. Quantos mais virão sem que eu veja o meu pai?
E quando ele se for, como vai ficar minha consciência com o fato de que nem que eu queira eu poderei mais vê-lo? Vou ter que ficar com as lembranças de fotos raríssimas, de quando eu era criança e ele fingia que estava aí pra mim? Além disso, essa época me dá anseio de choro. Foi nela que meu pai me levantou (com toda a força que ele emanava e eu admirava) e me pôs sentada numa caixa de som e disse que "estou indo embora" eu perguntei porquê, ele disse "um dia, quando vc for maior, entenderá, mas eu vou estar sempre aqui, nossos finais de semana serão juntos", e me abraçou..

Promessa vã, ínfima (palavras que ele mesmo me ensinou em ligações que não serviram de nada).
Nos primeiros meses a promessa parecia ter valor, mas depois as coisas ficaram um pouco diferentes, e eu não entendia. Confesso até que mal senti a falta dele quando era criança, (talvez pelo fato da ótima educação e do amor imenso, regado de sacrifícios do meu avô-pai e de minha avó-mãe talvez pra que eu não sentisse mesmo) apesar da queda no rendimento na escola, a ausência dele não me causou uma "dor" que eu pudesse sentir. Era só um cutucão, uma pontada, quase que uma mordida de uma formiga. Não me incomodava. O detalhe era que essa mordida estava apenas em stand by, eu não imaginava que ela podia crescer e devorar meu coração.



Pois bem, ela cresceu. Eu cresci. E parece que a cada hora essa ferida me consome mais, como uma úlcera, que Deus me livre.

Meu pai sempre foi amoroso (quando eu o via). Me enchia de abraços e beijos, quando era pequena me fazia rolar de rir quando fazia "o garra" pra mim, um pouco mais jovem, quando ele imitava um apresentador da MTV eu lagrimava de tanto rir. Meu pai é simplesmente LINDO. Qualquer pessoa pode dizer que ele é gordo e feio (não é), mas pra mim, meu pai é o exemplo de beleza que ainda vive, ele precisa ser levado pra algum laboratório pra analisar a sua beleza e o seu poder de... encantamento. Me encantei. E tento me desencantar desde que eu me dei conta de que ele não está mais aqui. Tento viver, compreender, aceitar, fazer meu coração parar de bater mais rápido quando tenho um simples vestígio de "saudade". Palavra pequena demais, inexpressiva demais pra mensurar isto.

Então, tive um dia dos pais sem igual, com meu pai de verdade, aquele que tem todos os defeitos, mas que me criou, que me socorreu quando eu precisei e que esteve comigo sempre.
Fomos pr'uma praça de alimentação, a família inteira reunida e em paz, como há tempos não acontecia.
Uma foto:

Now playing: NADA!

Beijo. E desculpa meu humor suicida-depressivo.

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